sexta-feira, 22 de junho de 2012

Quanto vale o meu imóvel

QUANTO VALE O MEU IMÓVEL

Uma senhora me procurou para avaliar o seu imóvel. Já tinha uma avaliação feita pelo competente Alexandre, gerente da Paula Santos. Queria mais duas para tirar uma média. Desaconselhei esta busca da verdade em virtude da competência do Alexandre e da confiança que ele merece. 
A propósito, Oscar Wilde disse algo como “a verdade pura e simples raramente é pura e nunca é simples”. O resultado da avaliação ao qual você quer chegar frequentemente não é puro nem simples. Não é puro, visto que pode ser contaminado por questões afetivas. É comum ouvirmos expressões como “meus filhos foram criados aqui”, como se o comprador tivesse os mesmo sentimentos. Ao contrário, o comprador pode entender que seus pimpolhos vandalizaram o imóvel, daí vai aplicar um fator de depreciação.  A quantia à qual você chegou também pode ser contagiada por uma economia simplista que não leva em conta o mercado e sua crueldade. Por exemplo, o comprador não está preocupado com o que você gastou na reforma, ao contrário, ele pode até pensar que se trata de mera maquiagem para cobrir algum defeito do seu estimado imóvel.



Realmente buscar o verdadeiro valor do seu imóvel torna a sua vida difícil. “Difícil comparada com o quê?” retrucaria o comediante Groucho Marx. 
Eu diria que pode ser fácil se comparada com a vida do corretor quando faz o papel de avaliador numa peça teatral em que há um antagonismo entre um vendedor  que superestima e um comprador  que deprecia .  Neste diálogo marcado pelo impasse “meu imóvel vale mais” versus “não vale tudo isto” o corretor é o protagonista, um especialista  em administrar conflitos,  aquele que oferece a possibilidade de boa saída para todas as partes porque negócio bom é bom para todos.  
Como nas novelas, os impasses são resolvidos com um final feliz (no caso, a venda) ou um desfecho trágico (a desistência). Lembre-se que o corretor não está desvalorizando o seu imóvel, nem fazendo você pagar mais, apenas saiba que corretores são profissionais que gostam de finais felizes: “cada um para seu lado, compradores e vendedores foram felizes para sempre...”




Lembro-me de uma venda em que a compradora não quis esperar na mesma sala que o vendedor até a chegada de seu advogado para a formalização do negócio . Talvez temesse alguma investida inoportuna do vendedor para aumentar o preço, uma espécie de “assédio econômico”. Sei lá!?  Imagino que se o corretor não estivesse presente, indo de uma sala para outra, acarinhando a compradora e acalmando o vendedor, eles jamais se encontrariam, embora estivessem no mesmo prédio. E quando enfim se encontraram, o corretor pode terminar o seu trabalho  de conciliação de interesses opostos, aparado pequenas arestas e ajudando na realização do negócio que todos queriam. Isto foi possível porque sua avaliação mercadológica estava correta, pois sabia que avaliar bem é considerar todos os fatores envolvidos: primeiro as pessoas, depois o imóvel e o mercado e, por fim, os números. 
O corretor  é como o alfaiate referido por outro escritor irlandês George Bernard Shaw: está sempre tirando as medidas. Se você precisa de uma avaliação do seu imóvel para me confiar a exclusividade de vendas, cadastre o seu imóvel em www.corretoramigomeu.com.br.  Eu espero “tirar as medidas” dele e não simplesmente ajustar o mercado a ele, pois o corretor não faz o mercado, simplesmente o reconhece.



quarta-feira, 30 de maio de 2012


SE VOCÊ BRIGOU COM SEU CACHORRO, NÃO SAIA POR AÍ COMPRANDO IMÓVEIS

Um dia encontrei um dileto amigo. Ele estava eufórico e me convidou para conhecer o seu novo carro importado. Eu estranhei, pois há não muito tempo ele tinha exibido outro carro  zero. Ele explicou que tinha perdido uma pequena fortuna com ações e para se acarinhar tinha comprado este carro ainda mais caro. Melhor assim, pois ele poderia ter procurado outras gratificações mais perigosas. Era o trunfo que tinha no momento e o exibiu. Tem-se aqui um mero caso de compensação, mecanismo de defesa no qual uma pessoa se supera em uma área para cobrir suas frustrações em outra. 



Alguns clientes agem assim. Para resolver um conflito temporário, colocam-se a procurar imóveis. Basta ver uma placa de um plantão, lá vão eles.  Frequentemente não têm menor idéia do que querem e menos ainda do que precisam. O que querem não está naquele empreendimento e o que precisam não é de um corretor, mas talvez de um terapeuta ou, com certeza, de um amigo. Pior para o corretor, pois eles não compram e se o fizerem,  serão vendas que cairão por desistência, falta de crédito ou interferência de terceiros. 



Temos deficiências e a maioria delas é temporária e circunstancial. De fato, não seremos eternamente esquecidos nas promoções profissionais, o amor de nossa vida permanecerá conosco enquanto tivermos vida, o motorista que o fechou no trânsito era o que parecia ser, um transeunte, passageiro como quase tudo na vida. Questões assim se resolvem com ações simples: busque excelência no trabalho, dê flores para sua amada, dirija defensivamente, mas, não saia por aí “comprando” apartamentos. Deste modo você não terá um corretor ligando para você buscando um pequeno retorno do tempo que você exigiu dele. Coincidências desagradáveis, situações embaraçosas ou eventos infelizes não podem nos levar a assumir uma dívida a ser paga em 30 anos, nem nos fazer morar onde não desejaríamos.  Como escreveu o ensaísta Henry D. Thoreau: “se você ficar quieto e estiver disposto, então encontrará compensação em cada decepção”. Eu acrescentaria: “no mínimo, mais uma lição”.



No entanto, se você está certo de que não se trata de uma necessidade efêmera a ser satisfeita, nem uma compulsão em melhorar sua auto-imagem, ou até, um desejo de sobrepujar-se perante um plantonista, então nós corretores podemos te ajudar, aconselhar, orientar e, eventualmente, sermos seus amigos. Se você está precisando de um corretor amigo, então estou no plantão no Edifício Treviso e virtualmente no site www.corretoramigomeu.com.br. Todavia, caso você tenha brigado com o seu cachorro e precise de um amigo corretor, meus ouvidos sãos seus e meus ombros também. Apareça no plantão. Num e noutro caso, pode ser a minha própria compensação. Pode ser pouco, mas é melhor do que você romper o relacionamento com o seu cachorro. 


quarta-feira, 16 de maio de 2012


CAUTELA E CANJA DE  GALINHA NÃO FAZEM MAL AO COMPRADOR DE IMÓVEIS

Meu avô Francisco Lopes era o que hoje se chama “empreendedor”. O primeiro serviço de carro de aluguel em Sorocaba foi inventiva dele. Entre vários empreendimentos também negociava imóveis. Era um homem daqueles que garantiam seus contratos com os fios do seu bigode e tinha um procurador reconhecido por muitos  como “procurador do Chico Lopes”. No entanto, a procuração, se é que a tinha expressa, não dava poderes para vender as propriedades, o que não o impediu de fazê-lo. E o fez, embolsando o dinheiro. Ao saber dos malfeitos, meu avô sofreu um infarto fulminante, deixando minha avó com um montão de filhos por criar. Pois bem. Logo depois da sua morte minha avó começou a ser procurada por muitos compradores que alegavam boa-fé. Minha avó, magnânima, assinou todas as escrituras. Foi assim: o bigode era do Nhô Chico Lopes, mas quem teve que honrá-lo foi a Nhá Rosa. Ela criou todos os filhos. Morreu quatro décadas depois. Pobre, porém em paz.
 


Hoje não é assim, ou melhor, não deveria ser. A lei e a jurisprudência se tornaram mais severas quanto ao conceito de “boa-fé”. É claro que ainda se espera que num negócio haja lisura, respeito, sinceridade e não se admitem intenções ocultas. No entanto, no caso de negociação de imóveis o comprador só pode alegar boa-fé se tomou as cuidados mínimos quanto à documentação do imóvel e do proprietário. Aqui vale o ditado “a lei não protege os que dormem”.



Embora o seu corretor deva orientá-lo sobre como proceder, é importante dizer que o “fio de bigode” não vale mais como subscrição. Veja bem:   a afirmação de honestidade do vendedor feita por um alguém não garante o negócio, pois quem garante o “alguém”? Alguns cartórios registram a expressão “o comprador dispensou as certidões” facilitando  o trabalho do cartorário, deixando tranqüilo o vendedor, mas podendo causar problemas ao comprador. Saiba que mesmo constando na escritura as certidões exigidas, quem deve arquivá-las é o cartório e não devem ficar “em poder do comprador”. Não se preocupe com a quantidade de papéis, pois ela será sempre menor que os volumes de um processo judicial.



Mas, se tiver dúvidas quanto às cautelas, lembre-se da canja de galinha. Toda canja é de galinha – um pleonasmo. Não tema parecer redundante. Na dúvida sobre exigir ou não um documento, mesmo correndo o risco de parecer supérfluo, reclame todos até que você esteja convencido da boa história do imóvel e do bom passado do vendedor.



Tendo tomado todas as cautelas e saboreado a canja de galinha, você será reconhecido, numa eventual demanda judicial, como um comprador de boa fé, pois como Martin Luther  King disse “fé é dar o primeiro passo, mesmo quando você não vê a escada inteira”. Mas você deve estar certo de onde os pés da  escada estão firmados: no imóvel, no vendedor e na sua boa-fé recheada de documentos.


Se você deseja fazer negócios imobiliários e precisa de um corretor que o ajude a documentar a sua boa fé, acesse Salvador - o seu amigo corretor



quinta-feira, 3 de maio de 2012

Você vai morar num apartamento, não numa área!

Uma vaga de garagem com 20 metros quadrados é boa? Não sei, depende das duas dimensões. Se ela tiver 4 metros de frente por 5 de lado, é boa. Se tiver 5 de frente por 4 de lado, será boa para quem é ruim de balizas, mas pode sobrar a traseira da van fora da vaga. Se tiver 2 x 10 pode ser um bom estacionamento para bicicletas e se tiver 10 x 2 será ótima para estacionar carrinhos de pipoca. Como você notou, não se estaciona numa área, mas numa vaga que depende da proporção adequada de duas dimensões e de sua acessibilidade (como mostra a foto abaixo). 



Um exemplo. Eu trabalhei numa empresa que tinha um estacionamento para supervisores. As demarcações das vagas eram perpendiculares à guia da calçada. Mas alguém teve uma idéia: vamos colocar as vagas inclinadas em relação ao meio-fio para facilitar as manobras (talvez porque supervisores "vejam de cima" e não sejam tão bons para ver em frente, para enxergar atrás ou se alinhar aos lados). Algumas horas e latas de tinta depois lá estava a idéia implementada. Má idéia.  O primeiro até que estacionou, porém tão rente à faixa que prejudicou o segundo e assim, de modo sucessivo, as balizas foram desrespeitadas. Não cabiam mais os carros de todos supervisores, pois, embora a área permanecesse a mesma, a largura das vagas tinha diminuído. Um tempo depois houve nova demarcação para um número menor de carros. Não me lembro se algum supervisor foi dispensado por não ter onde estacionar. Talvez todos os supervisores sem vagas para estacionar tenham se transferido para a montadora que achou a solução abaixo:


Quando apresento um imóvel, sempre vem a pergunta: qual é a área? Eu gostaria de responder: você vai morar num apartamento ou numa área? Porém a fidalguia da profissão de corretor e a paciência desenvolvida em décadas como professor me impedem. Tento explicar que o projeto é inteligente, que não há desperdícios com corredores e escadas, que há uma boa proporção entre as medidas de todos os cômodos, que os ambientes são integrados e com boa acessibilidade, que formas não convencionais podem provocar perdas de espaço, que os apartamentos de hoje não são mais "casas sobre casas" como antigamente, que a área acarreta despesas com condomínio, impostos e manutenção, e o resto.



Qual é, então, a área adequada? Penso que, antes de uma questão econômica, é uma questão prática resolvida na lingua portuguesa pela preposição "para". Para mim? Para nós? Para quem? A área adequada é aquela do imóvel que você deseja para determinada finalidade (para quê?). Um solteiro que viaja muito? Um jovem casal descolado? Uma viúva com muitos netos que a visitam sempre, porque "na casa da vovó pode tudo"? Cada um deve ter a "sua" área apropriada, um cantinho para chamar de seu, pequeno o necessário para ser aconchegante e grande o suficiente para que nele caibam algumas de nossas coisas e todos os  nossos sonhos.